TemporadaEUROPA2014

Os Fantasmas dos Trens by AK47

[English]

We always travel in the true Graffiti trail. The season that Keep It Real spent in Europe in 2014 was fucking awesome because we were inside the scene of a tradicional kind of graffiti there: vandalism on trains!

While recording this activity, we captured incredible images of some crews of Portugal and Spain in action, day and night. But unfortunately we lost our valuable file, after being robbed in Barcelona (for more on this episode, read this post).

Anyway, we don’t give a fuck! ... If we lost our images we remember what we have seen in Europe trails through the lens of others, haha. When searching the internet, we found some stuff that perfectly reflects the feeling of those missions (sometimes almost suicidal). We share below a video of GWK acting in Portugal. Nice mixture of invasion of yards, back jumps and quick escapes.

All respect Ghost Warriors Krew. Keep It Real!

UNWORRYS - TRAINWRITING 1 - PORTUGAL

[Português]

Viajamos sempre no rastro do Graffiti verdadeiro. A temporada do Keep It Real na Europa em 2014 foi foda demais, pois fomos atrás da cena de uma vertente do graffiti que é tradição por lá: o vandalismo em trens!

No registro dessa atividade, conseguimos imagens incríveis de algumas crews de Portugal e Espanha em suas ações, dia e noite. Mas infelizmente perdemos nosso valioso arquivo, depois de passarmos por um assalto escroto em Barcelona (para saber mais sobre esse episódio, leia este post).

Enfim, foda-se! … se perdemos nossas imagens a gente recorda o que vimos nos trilhos da Europa através das lentes dos outros, haha. Ao fazer buscas na internet, encontramos um material que traduz perfeitamente o feeling daquelas missões (as vezes quase suicidas). Compartilhamos abaixo um vídeo da GWK agindo em Portugal. Mistura bacana de invasão à yards, back jumps e fugas rápidas.

Máximo respeito Ghost Warriors Krew. Keep It Real!

(Pictures and video found on web searches. Text by AK47.)

Rio Douro by AK47

[English]

It was 2014. Europe. Portugal. Porto. Fascinating city. Cut by a canyon through which flows the River Douro. Over this river, the center of the "Unbeaten City", there are 6 or 7 major bridges.

On top of these bridges pass thousands of tourists every day ... "traditional tourists". But under those same bridges, pass other types of travellers ... those who write on walls. They leave a trail on modern walls and medieval ruins.

Across the border, in clean windy afternoons, it was easy to see the 3 large yellow characters on the wall of an old church: Q P ?

- - - 

[Português]

Era 2014. Europa. Portugal. Porto. Cidade fascinante. Cortada por um desfiladeiro por onde corre o Rio Douro. Sobre este rio, centro das atenções da Cidade Invicta, passam 6 ou 7 principais pontes.

Em cima dessas pontes passam milhares de turistas todos os dias ... os "turistas tradicionais". Mas debaixo dessas mesmas pontes, passam outros tipos de viajantes ... aqueles que escrevem em paredes. Rastro sobre paredes modernas e ruínas medievais.

Do outro lado da margem, em tardes limpas de vento frio, era fácil de ver os 3 grandes caracteres amarelos na parede de uma antiga igreja: Q P ?

(Pictures by Karol Agante and AK47. Text by AK47. Shout out to all worldwide QPASA?CREW.)

Fachadas que São Telas by AK47

Lisboa ferve.
No verão a cidade não pára.
Muitos carros, MUITOS.
Trânsito frenético.
Turistas frenéticos.
Batedores de carteira frenéticos.
Música por todo lado.
Ritmo acelerado.

Em meio à todo caos muitos prédios antigos de visível valor histórico dividem espaço com novas e pomposas construções moderninhas. Lisboa é uma cidade em total mutação. Entre o velho e o novo aparecem edifícios que misturam um pouco do dois.

Murais. Gigantes murais pintados por artistas de diversas partes do mundo. Obras que ajudam Lisboa a ser reconhecida como uma das capitais da Street Art mais importantes da atualidade.

Caminhei sob um sol absurdo, sem ter certeza se estava indo para o lado certo. Pra meu alívio encontrei o conjunto de 3 blocos de edifícios que servem de suporte para um projeto de intervenção urbana que mudou a cara daquele quarteirão. Muitos discutiram, falando "que aquela merda não é graffiti verdadeiro" ... enquanto outros levantam a bandeira de que é sim. Pra mim essa discussão não fazia diferença naquele momento. Eu só precisava de água e sombra, pra evitar uma pane interna!

Subindo a ladeira, o primeiro prédio mostra um jacaré assinado por Ericailane, e um pássaro bizarro de Lucy Mclauchlan, da Inglaterra. Depois uma forma humana gigante bem lúdica, de SAM3. Mais acima uma pintura de BLU, que mostra um rei capitalista sugando recursos do planeta terra até o fim ... dividindo o último bloco com os brasileiros OS GÊMEOS, que retratam um jovem que usa um crucifixo como estilingue.

Passei bastante tempo lá. Não me impressionei com o tamanho das pinturas, mas sim com as texturas. Imaginava o processo de criação daquilo tudo. Rolos, pincéis, latéx, spray. Ferramentas que há muito conheço, utilizadas de uma forma muito diferente. Impossível dizer que esse tipo de intervenção não muda a vida e rotina de todo o entorno. 

Mas enquanto o olhar da maioria dos pedestres se dirige apenas às "pinturas oficiais" desse projeto de intervenção urbana, pra mim foi impossível não me prender aos bombs e throw ups que escalam o prédio sem permissão. O velho e tradicional vandalismo só precisa de uma brecha pra se mostrar vivo, e como em todo canto de Lisboa, cada espaço vago vira tela para writers do mundo todo.

Curti a paisagem.
Tirei as fotos que queria.
Bebi uma Coca gelada.
E no final das contas só uma coisa me importava: como é que eu ia voltar pra casa sem ter que caminhar mais sob aquele sol matador, haha.

(Fotos e texto por AK47.)

Passado Intocável by AK47

Na Temporada Europa passamos por muitas atmosferas diferentes. Alguns lugares tinham música estridentes, outros silêncio total. Algumas paisagens eram imóveis, outras mudavam o tempo todo. Alguns picos nos passavam total segurança, outros completa incerteza.

Logo nos primeiros dias de viagem acabamos nos hospedando em um lugarejo no interior rural de Portugal, onde a vida parece ter parado. Como sempre, fazemos em todas as nossas paradas uma "exploração urbana", caminhando sem rumo, seja dia ou noite. Sempre sem orientação de ninguém. Conhecemos as ruas por nossa conta.

Não demorou muito para percebermos que aquele era lugar era uma ilha.
Isolamento.
Silêncio.
Ar seco.
Plantações sem fim.
Rusticidade.
Atemporalidade.
Fuga.
Esconderijo.
Casas sem moradores.
Bicicletas sem crianças.
Prateleiras sem produtos.
Calçadas sem pedestres.
Tardes calmas, e sem nenhuma vida.
Sensação de um estado de dormência constante.

A vila não era calma de forma depressiva, mas sim relaxante, me provocava total introspecção. Cada viela parecia ser cenário de um filme, uma cidade fantasma, um lugar onde o tempo não anda e há chance pra pensarmos e sentirmos. Por algum motivo eu não queria interferir naquilo, e não rabisquei nenhum tag. Nenhum.

As portas que tanto me atraem e normalmente servem de suporte para meus stickers e tags dessa vez permaneceram intactas. Talvez meu vandal seja fruto da doença que a cidade me causa, e aquele lugar parecia a cura. Vontade de pintar tinha, só não consegui minha "auto-aprovação" pra isso.

Quiz passar por lá sem deixar marcas.

Acabei sendo marcado.

(Fotos por Karol Agante e AK47. Texto por AK47.)

QPASA? no Interior de Portugal by AK47

Interior de Portugal.
Zilhões de oliveiras por todo lado.
Tarde quente, seca, abafada.
Construção abandonada.
Uma lata Verde.
Uma lata Preta.
Uma lata Branca.
Dois Fatcap.
Paz total.
Começo a riscar.
Caminhonete passa na hora "H".
Motorista tranquilão.
Provavelmente o único vandal num raio de trocentas milhas.
Throw-up da QPASA?CREW estalando na portinha de aço.
Pow!
Fim!

(Fotos por Karol Agante, texto por AK47.)