Culmiância RF7 sob Sereno da Noite / by AK47

O sol passa, mas o calor não, haha.

Nas duas noites da "Culminância Multicultural" do Festival Internacional de Graffiti Recifusion 7 o suor era presente em todo mundo, apesar da chuva surpresa que lavou a alma da gente. O clima do evento era o mesmo que pairava durante o dia. Galera se divertindo em todo canto. Sonzera constante nas caixas de som.

No meio da correria em que estávamos, não querendo perder nada que acontecia, passamos por um grupo de carroceiros que estavam do lado de fora, na calçada. Não era por acaso. Se tratava de mais uma ação do PIMPEX - Pimp My Carroça, projeto que dá uma moral aos catadores urbanos de material reciclável através do Graffiti.

Os tiozinhos das carroças são fodas, e emocionaram a gente. Jeito simples de viver e uma cordialidade até mesmo estranha pra quem é bicho solto das Ruas de Recife. Esses caras são "Rua Real" mesmo, e ainda assim não perderam a ternura e a gentileza.

Estamos gratos por esses momentos da nossa trip.

Gente pra todo lado. No alto dos andaimes. Sentados no chão. Torcendo pelas batalhas. Comendo tapioca. Bebendo Pitú. Colocando tags em blackbooks. Dormindo nos cantinhos aqui e ali. Clima suavão, não ví nenhuma porradaria ou confusão. Apesar do grande número de público, parecia que de alguma forma todos se conheciam. Uma puta mistura de culturas funcionando direitinho.

Num instante tudo calmo, em seguida uma gritaria do caraio na frente do palco. Já sabia que era mais uma batalha de Mc's. Foi punk, disputa acirrada como de costume. Intercalado à isso, shows de artistas de diversas partes do país, da trazendo da cultura local ao Rap do sul do Brasil ... Diomedes Chave Mestra (PE), Gutierrez (RJ), Karol de Souza (PR), Negrita (PE), Douglas Din (BH), dentre vários outros.

Momento chave pra gente neste festival foi poder ver de perto o grupo Palha de Coco, de Recife mesmo. Galera gente finíssima, que carrega a cultura regional brasileira como pivô de todo o trabalho. O vocalista na linha de frente era ninguém menos de Jackson, conhecido também como TOF pela arte que pinta nos muros de Recife. Como se já não bastasse TOF tirar o fôlego da galera quando faz seus graffitis na Rua, fez também muita gente chorar nesse show que marcou o RF7.

Daí, quando todo mundo acha que a noite tava pra terminar, chega no palco Marechal e Sant, do Rio de Janeiro, pra fazer um show que ia marcar todos os presentes. A chuva chegou pesada no meio do show, mas a massa continuava espremida lá na grade da frente. O tempo parou pra quem estava nesse show, e parecia que Marechal e Sant falavam exatamente aquilo que cada um precisava ouvir.

Sant foi foda, colocou mais energia no seu mic do que qualquer um imaginaria. Muitos sons verdadeiramente densos e significativos. Muita gente emocionada com toda a idéia que o cara consegue passar. Marechal no final do show desceu do palco e foi cantar com o público, que praticamente soterrou o Mc. No meio da avalanche de gente, em que não se via Marechal, saía a voz dele, nos relembrando a importância de fazer bem feito e com amor tudo aquilo a que nos propomos.

Depois de um fim de show emocionante pra caralho, não tinha mais ninguém com coração de pedra. Todos mudaram de alguma forma depois dessa apresentação.

E agora? Ué ... Vamos Voltar À Realidade!

Máximo respeito e consideração à todos os envolvidos na produção do RF7, público e colaboradores. Cada músico que se apresentou, grafiteiro, Dj, Mc, cada criança que esteve presente conosco, todos os ambulantes, todos os que apoiaram, todos que vieram de longe ou perto, todos que lá estavam em corpo ou mente ... entenda que o Recifusion é obra de um coletivo, e também foi feito por você!

Keep Up. Tamo junto!

(Para mais informações e cobertura do Festival Internacional de Graffiti Recifusion 7, visite os canais oficiais de mídia RF7. Imagens deste post por Karol Agante e AK47. Texto por AK47.)