1º Festival de Cultura Urbana de Petrópolis / by AK47

O final de semana passado foi quente, abafado e cansativo ... mas ainda assim, incrivelmente recompensante. Passamos dois dias na Rua na companhia de um grupo de voluntários mais do que especiais, participando a produção do 1º Festival de Cultura Urbana de Petrópolis. Pode parecer estranho falar de um evento que destaca as diversas ramificações da Cultura de Rua numa cidade aparentemente tão retrógrada. Acontece que a cena alternativa da Serra é atuante, consistente e insistente ... e pra quem anda pelas bandas de cá, sabe que neste aglomerado não falta maluco, haha.

A proposta do festival foi reunir diversas formas de cultura, trazendo atividades ligadas ao graffiti, debates, biblioteca comunitária, oficinas, sarau, batalha de rimas e break, apresentações de dança, artistas circenses, artesanato, Dj's, skate, e por aí vai. Grandes nomes conhecidos na cena internacional estavam presentes ... mas mais do que isso ... talentosos anônimos mostraram que muita coisa boa acontece longe das mídias televisionadas.

Cobrimos o evento o tempo todo, e tentamos condensar um pouco das horas e horas que passamos por lá no conteúdo que mostramos abaixo. Vamo que vamo ... ESSA É A SERRA NEGUIN!

Sendo um dos 4 elementos primordiais da Cultura Hip Hop, o BREAK se mostrou presente em batalhas que prendiam o olhar de todos que passavam, desde as crianças até o público mais velho. Break de chão, mortais, beats pesados, caps e camisas largas. Cena bonita de se ver, que só acontece pelo suor de verdadeiros artistas/atletas que não só se destacam na cidade, mas também no mundo todo. SIM, pouca gente sabe disso, mas Petrópolis exporta breakers a muito tempo, que hoje se apresentam em companhias de dança de vários continentes.

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Além das batalhas, apresentações de COREOGRAFIAS em praça aberta deram a oportunidade de pessoas que não tem muito contato com a cena de rua conhecer o que muitas vezes só veem em filmes. Já ouviu falar na tal da Cultura Hip Hop? ... Então, ela existe, é real, e está viva, até mesmo nos cantos mais escondidos.

O street SKATE, sem regras, determinação de tempo ou qualquer outra exigência ocupou a praça de um lado ao outro. Molecada de menos de 10 anos de idade passava a mil no meio do público, e muitos barbados velhos de guerra rasgavam manobras em bancos, degraus e obstáculos espalhados especialmente para o evento. As meninas? Haha ... várias delas largaram as bonecas em casa e mostravam seus joelhos ralados junto de pares de tênis desgastados.

Seja numa busca pela carreira profissional no esporte, ou simplesmente pela pura diversão de dar um ollie air, mais uma vez deu pra perceber que não é preciso muito pra fazer o povo feliz. Em outras palavras, se o poder público não proporciona o espaço ideal para a prática de determinada atividade que a população quer e precisa ... sem problemas ... a gente toma, haha.

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CIRCO na Rua ... nessa hora, seja novo ou seja idoso, seja homem ou mulher, todo mundo volta à ser criança. Além do evento disponibilizar uma OFICINA gratuíta aberta para iniciantes, todos puderam assistir à apresentação de artistas do Chile e Colombia, que pareciam se divertir mais do que o próprio público. Mais uma vez eu digo ... o povo não precisa de muito pra ser feliz, e fica claro que muitas vezes o poder público de certa forma nos obriga a criar nossas próprias soluções. E a Rua é o melhor espaço pra isso.

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Pra calar a boca de muita gente que insiste em divulgar que estes eventos abertos só trazem prejuízo ao município, e que o público é formado apenas por drogados e vagabundos, a produção trouxe também a BIBLIOTECA COMUNITÁRIA DO CDC ... onde títulos raros (e caros), de conteúdo nobre e imprescindível para evolução pessoal, podem ser levados para casa por qualquer cidadão, sem pagar nada. O espaço contou ainda com a presença de escritores e poetas, que trabalham com o público por meio de saraus. Na tarde de sábado, debate aberto, dando voz à quem quer falar o que sente e pensa sem censura.

À noite, DEBATE sobre o tema "Arte x Cidade", levantando questões como vandalismo, ocupação de espaços públicos e leis de incentivo à cultura. Por meio da mediação do Mc Marcelo Durango Kid, participaram Carla Santos (representante de Jandira Feghali), Thaís Ferreira (representando a Fundação de Cultura de Petrópolis) e AK47 (este artista marginal que escreve este artigo).

Independente da posição política escolhida por cada convidado, ficou claro que o debate é uma das grandes ferramentas de questionamento de idéias, elaboração de novos planos e incentivo ao pensamento sobre questões aparentemente sem solução. Sem destruição de antigos valores, não há construção de um novo futuro. FATO!

Sem comentários sobre o público presente: oportunidade incrível de crescimento ao conversar com moradores de Rua, diversão garantida no encontro com artistas diversos, clima leve, fluido, familiar. Tamo na Rua, mas tamo em casa.

Lógico que não podia faltar as tradicionais BATALHAS DE MC's ... onde a massa pede pra ver "sangue", exigindo habilidade nas rimas e conhecimento vasto dos competidores. Havia rimador com menos de um metro de altura, vestindo roupas de criança, haha ... batalhando com repentistas que estão na pista há mais de 10 anos. Tinha mina. Tinha mano. Diversidade é fator básico na Rua. Básico!

Ahhh ... nem falemos dessa parte do evento. SHOWS de grupos locais da cidade? Sim, vários, e dentre eles estiveram Mc Pachá, Sarlú, Skill, Dj Fota, Mestre Xim, Lola Salles, Gotam Cru e os Curingas, Rap Rua, e muitos mais que minha memória não permite citar os nomes, haha. Mas acredito que a maioria concorda que o ponto alto foi receber de bandeja um show mais do que devastador de DUB ATAQUE e BNEGÃO.

Lembrando que enquanto vários boys despendem centenas de reais pra ter acesso à shows de qualidade em casas noturnas das grandes capitais, no Festival de Cultura Urbana de Petrópolis, ninguém pagou nada. Tudo livre, grátis, aberto!

Sem nenhuma ocorrência de briga ou qualquer outro problema, e Festival terminou lindamente. Nossa segurança foi garantida por uma força policial mais do que competente e gentil ... que passou o tempo todo pendurada em seus celulares. Agradecemos aos queridos militares, que passaram o dia curtindo nossas postagens no Instagram, haha.

Enfim, quem foi curtiu demais ... quem não foi, cultive a paciência para esperar um tempinho. Existe uma notícia rondando a cidade que novas edições do evento estão por vir.

POW, POW, POW! ESSA É A SERRA NEGUIN!

=)

(As imagens exibidas neste post foram captadas pelas lentes de Karol Agante, Gregori Bastos e AK47. Texto por AK47.)