Nosso Mundo no Edifício Pernambuco / by AK47

Esse post mostra um pouco dos recortes visuais que ficaram impressos em nossas mentes depois de uma temporada morando no renomado Edifício Pernambuco, centro do centro do centro de Recife. Passamos exatos 15 dias hospedados nesse ícone arquitetônico que aglomera diversos coletivos envolvidos com a arte. Estúdios de tatuagem, coletivos de breakdance, salas de estudo, aulas de arte, produção de vídeo, design, núcleos pensante de protesto. Foi mais rico do que imaginamos que seria.

A maior parte do tempo estivemos na "Vivência Orgânica" do Festival Recifusion 7. Um imenso apartamento que ocupa todo o 4º andar abrigou os artistas selecionados, mais a equipe de produção, mais alguns convidados inesperados. Dentro desse espaço todos faziam de tudo, de maneira espantosamente respeitosa com os demais.

O registros desta internação de 15 dias, que mais parecia um "Big Brother da Vida Real" ficou demasiadamente extenso. Resumimos um pouco do que vivemos, e separamos em 5 seções diferentes logo abaixo.

Bem vindo ao nosso mundo no Edifício Pernambuco:


OS BASTIDORES - Pra tudo que acontece em um festival da magnitude do Recifusion, existe todo um mundo obscuro aos olhos do público por trás das cortinas. E normalmente esse mundo obscuro é regado de tarefas difíceis, estafantes e que só se resolvem com uma puta gerência, organização e energia. Pudemos assistir (e ajudar um pouquinho) na correria que precedeu cada atividade oferecida no festival. Preparação de mais de 1000 refeições balanceadas para os participantes, montagem de kits de sprays para os artistas, organização de uma expo de arte, workshops, cobertura online full time, e muito mais ... tudo feito em meio à ventiladores, colchonetes e mochilas desarrumadas por todo canto. Perfeito como tem de ser.


AS PESSOAS - Sem dúvida foram as pessoas que mais marcaram o RF7. Muitos pretos, muitos brancos, sotaques do nordeste, sotaques do RJ e Sampa, diversos tipos de Espanhol ecoando na sala, México, Espanha, Uruguai, Equador, meninas, maloquerada barbada, amigos antigos, novos parceiros, criançada energética, velhos com dor nas costas, nativos, gringos. Durante todo o tempo que estivemos acampados naquele andar do Edifício Pernambuco vimos incontáveis situações onde o respeito e a camaradagem falaram mais alto que qualquer outra atitude. Num ambiente limitado onde todos trabalham, se divertem, dormem e comem, passando 24h por dia juntos, só existe plenitude quando todos viram um só.


AS COISAS - Por onde passávamos nossos olhares, coisas. Coisas por todos os cantos. Provavelmente muito mais latas de spray do que em uma loja de tintas, haha. Roupas e toalhas secando estendidas pelos móveis. Copos. Pratos. Comidas cheirosas e deliciosas. Fios de celulares e ventiladores embolados. Canetas. Milhares de adesivos. Sketches que pra nós valem fortunas. Um acervo de texturas visuais infinito.


AS CONVERSAS - Pra fazer com que dezenas de pessoas de diferentes regiões do mundo se entendessem neste pandemônio organizado de arte e convívio, só na base de muita conversa. Diariamente a galera se reunia por motivos diversos pra discutir, falar, ouvir, aprender e contribuir. O segredo do mundo está na troca, e parece que todos lá entendiam isso.


AS PANORÂMICAS - Como sempre digo, as fotos parecem apertar nosso campo de visão, e deixar tudo o que vemos mais estreito. Na tentativa de abrir mais nossa mente e dar respiro ao que vemos, seguem algumas panorâmicas que ajudam à entendem a importância dessa vivência em nós.

(Para mais informações e cobertura do Festival Internacional de Graffiti Recifusion 7, visite os canais oficiais de mídia RF7. Imagens deste post por Karol Agante e AK47. Texto por AK47.)