Não Tão Escura / by AK47

Cresci em bairros que não eram muito perigosos. Era ainda moleque e já andava tarde da noite pela Rua, só pelo fascínio em ver a cidade de outro jeito. Tranquilidade máxima. Tudo calmo. Tudo parado. Gastei muitas madrugadas andando a pé ou de bicicleta, sozinho ou com irmãos do meu bairro. Sempre voltei vivo e inteiro pra casa.

A luz laranja dos postes, os ratos nas calçadas, os mendigos gente fina, os ônibus sempre vazios, as conversas com os porteiros dos prédios ... os elementos da noite da Rua me trazem boas lembranças de uma época em que eu ainda achava que a Polícia defendia o povo, e que nada de errado atingiria os bons de coração.

(Fotos por Karol Agante, texto por AK47.)