A Viva Roda Cultural / by AK47

Visivelmente agarrada ao seu passado, Petrópolis se mostra uma cidade bastante provinciana. A maioria da população tem mente muito fechada, e por isso tinha de tudo pra ter uma cultura street morta e ausente. Só que não é assim, haha!

Petrópolis sempre teve uma resistência contínua e insistente. Gente que não desiste, que não larga o osso. A cena underground de Petrópolis, por mais que tenha sofrido ataques por longos anos, está viva, trabalhando, produzindo, se (auto)alimentando constantemente. Seja através do Rap, do Break, das atividades circenses, do artesanato de rua, do Graffiti, da Discotecagem verdadeira, da pichação, das intervenções urbanas ... a Rua é viva nessa roça, e salva mais almas do que mata.

Perfeito exemplo de resistência ao sistema é a chamada Roda Cultural do CDC, evento semanal que arrasta uma pá de gente para o gramado frente ao Centro Cultural de Petrópolis. Mesmo sem apoio, sem incentivo, sem infraestrutura e sem recursos, a Roda do CDC já teve dezenas de edições. Em resposta a falta de eventos culturais para a juventude petropolitana, uma galera arregaça as mangas toda quinta feira e junta poesia, malabares, discussões políticas, batalha de rimas, manobras de skate, e mucho más.

No último dia 15, foi vez da primeira edição especial da Roda, com o nome de RODA VIVA. Desta vez, com um apoio básico para sua realização, rolou mesa de debate com convidados de fora, leitura de poesia, feira de livros, Game of Skate, apresentação de batalhas de rima, Dj Fota na quebradeira musical e show da Gotam Cru. Reunião lotada de gente das antigas com a nova geração.

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Não dá pra negar: Petrópolis tem muitos, muitos, muitos talentos em todas as áreas da arte, e dentro do improviso verbal não é diferente. Mesmo viajando pra tudo que é canto, é difícil ver uma molecada tão intensa no microfone, consistente nas idéias. Enquanto uns se juntam para apenas anestesiar a mente e o corpo, outros colocam os neurônios pra trabalhar pesado.

Pra alegria geral da Nação Petropolitana rolou show da Gotam Cru, grupo de artistas monstros que junta música de levada boa com letras mais do que consistentes. Dessa vez o palco recebeu o Sr. Durango Kid, Mr. Dom Pachá, Lady Carol Guerra e participação de Lolita Salles. Essa galera representa a Rua há muuuuuuito tempo, e a conexão com o público é pseudo espiritual, haha.

Esse post é publicado hoje em homenagem e agradecimento à todos que mantém a Rua viva e produtiva, que fazem a cena acontecer por amor ao coletivo, que continuam atuantes apesar do descaso da massa. A cultura Hip Hop depende de soldados anônimos, e é à esses soldados que a gente humildemente dedica este nosso trabalho.

LONGA VIDA AOS VERDADEIROS ... LONGA VIDA À CULTURA HIP HOP!

(Fotos por Karol Agante, texto por AK47.)