Fachadas que São Telas / by AK47

Lisboa ferve.
No verão a cidade não pára.
Muitos carros, MUITOS.
Trânsito frenético.
Turistas frenéticos.
Batedores de carteira frenéticos.
Música por todo lado.
Ritmo acelerado.

Em meio à todo caos muitos prédios antigos de visível valor histórico dividem espaço com novas e pomposas construções moderninhas. Lisboa é uma cidade em total mutação. Entre o velho e o novo aparecem edifícios que misturam um pouco do dois.

Murais. Gigantes murais pintados por artistas de diversas partes do mundo. Obras que ajudam Lisboa a ser reconhecida como uma das capitais da Street Art mais importantes da atualidade.

Caminhei sob um sol absurdo, sem ter certeza se estava indo para o lado certo. Pra meu alívio encontrei o conjunto de 3 blocos de edifícios que servem de suporte para um projeto de intervenção urbana que mudou a cara daquele quarteirão. Muitos discutiram, falando "que aquela merda não é graffiti verdadeiro" ... enquanto outros levantam a bandeira de que é sim. Pra mim essa discussão não fazia diferença naquele momento. Eu só precisava de água e sombra, pra evitar uma pane interna!

Subindo a ladeira, o primeiro prédio mostra um jacaré assinado por Ericailane, e um pássaro bizarro de Lucy Mclauchlan, da Inglaterra. Depois uma forma humana gigante bem lúdica, de SAM3. Mais acima uma pintura de BLU, que mostra um rei capitalista sugando recursos do planeta terra até o fim ... dividindo o último bloco com os brasileiros OS GÊMEOS, que retratam um jovem que usa um crucifixo como estilingue.

Passei bastante tempo lá. Não me impressionei com o tamanho das pinturas, mas sim com as texturas. Imaginava o processo de criação daquilo tudo. Rolos, pincéis, latéx, spray. Ferramentas que há muito conheço, utilizadas de uma forma muito diferente. Impossível dizer que esse tipo de intervenção não muda a vida e rotina de todo o entorno. 

Mas enquanto o olhar da maioria dos pedestres se dirige apenas às "pinturas oficiais" desse projeto de intervenção urbana, pra mim foi impossível não me prender aos bombs e throw ups que escalam o prédio sem permissão. O velho e tradicional vandalismo só precisa de uma brecha pra se mostrar vivo, e como em todo canto de Lisboa, cada espaço vago vira tela para writers do mundo todo.

Curti a paisagem.
Tirei as fotos que queria.
Bebi uma Coca gelada.
E no final das contas só uma coisa me importava: como é que eu ia voltar pra casa sem ter que caminhar mais sob aquele sol matador, haha.

(Fotos e texto por AK47.)