11 de Setembro sem Bandeiras / by AK47

Ontem foi 11 de Setembro, dia muito polêmico em virtude do ataque às Torres Gêmeas que aconteceu na ilha de Manhattan em 2001. Mais uma vez me reservo o direito de não usar esse blog pra dar minha opinião e propagar as "teorias da conspiração" que em parte acredito. Pelo contrário, falo do dia de ontem imparcialmente, mostrando como de alguma forma fizemos parte de algo que é muito intenso para os new yorkers que viveram aquele episódio.

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Eram umas 5 da tarde, e eu e Karol havíamos passado o dia todo envolvidos com uma pintura que eu estava fazendo no 5 Pointz, e estávamos de partida pra casa. Foi quando o artista MERES convidou a gente para participar da criação de um painel em memória dessa data que eles renovam anualmente. Cogitei seriamente à dizer não uma vez que não gosto da idéia de promover uma data usada pelo "patriotismo americano exaltado" como justificativa para praticar um monte de atos que considero hediondo ... enfim.

Mas ao prestar atenção às pessoas que se juntavam pra ajudar, percebi que maior do que qualquer posição sobre o que aconteceu, esse trabalho se tratava de amor pelo ser humano. Em outras palavras, posso dizer que naquele momento não importava quem derrubou as torres, quem estava certo ou errado, quem era o coitado e quem era o tirano ... naquele momento, percebi que se tratava de pessoas comuns, prestando uma homenagem aos amigos e parentes que faleceram. Ninguém estava segurando bandeiras, ninguém tinha um texto "pró americano" na ponta da língua ... aquele era apenas um momento onde amigos se reuniam com saudade dos que não estão mais presentes.

Nos sentimos muito honrados pelo convite para participar de algo tão íntimo, sincero, e verdadeiro. Aquele mural não era um símbolo patriota, mas sim um momento entre família e amigos. Era hora de deixar opiniões menores de lado, e mostrar amor pelo ser humano ... só isso, simples assim.

 

Na medida em que as pessoas na rua passavam por nós, a maioria parava para assistir, e em poucos minutos muitos que nunca tinham usado um spray, nos ajudavam com a tarefa. Gente preta, gente branca, americanos, latinos, jovens e alguns de bastante idade. Alguns deles admitiram em conversa com a gente que nunca pararam pra olhar nenhum graffiti, e que nunca tinham pintado nada na vida, mas que estavam prontos pra ajudar. Como se diz muito na cena do graffiti aqui ... IT'S ALL ABOUT LOVE AND RESPECT!

O clima não era de tristeza, mas sim de uma "saudade conformada", e pudemos ouvir de pessoas que vivem em NYC algumas histórias de vizinhos, parentes e amigos que não voltaram pra casa naquele dia. Mais uma vez repito ... muito maior do que os ideais de americanos patriotas ou de conspiracionistas anti USA, era o respeito e comoção pelo outro igual, pelo ser humano comum. Todos que ajudaram de alguma forma no painel tiveram seu nome escrito no canto do muro, e no final do trabalho, com algumas velas acesas próximo ao mural, a sensação na hora de tirar a foto final, é que estávamos em família.

(Fotos por Karol Agante e texto por AK47)