MOF - As Tretas que Ninguém Vê / by AK47

Tenho o privilégio de conhecer os caras que deram início ao MOF, há 8 anos atrás. E é muito doido ver esse evento que nasceu sem muitas pretensões tomar proporções gigantescas. Quase ninguém esta por dentro do que a galera que idealizou esse encontro passou (e passa) pra poder manter essa tradição viva.

Ser parte da produção é intenso demais ... e o que pode ser visto como um privilégio, pode ser também interpretado como uma maldição, haha. Uma vez um dos organizadores falou pra mim: "- Não tenho mais escolha, não posso deixar de fazer o MOF. As pessoas simplesmente vão chegar na Vila Operária, e o MOF vai acontecer de uma forma ou de outra."

Ontem, ao navegar pela internet encontrei o depoimento de um dos caras mais iluminados desse projeto, o artista Carlos BOBI. Resolvi copiar seu depoimento e postar aqui no blog para mostrar parte dessa correria que muita gente não vê. O MOF é alegria sim, é amizade, é reencontro, é positividade, festa, cerveja, gargalhadas, música e ARTE. Mas por trás disso tudo tem muito trabalho pesado não remunerado, tem o peso da responsabilidade, o comprometimento com a comunidade, tem horas e horas e horas de planejamento, milhões de ligações telefônicas, tem a frustração de muita coisa que não sai como o programado, além de toneladas de tralhas para serem carregadas pra lá e pra cá.

Abaixo, algumas palavras de um dos monstros que mantém vivo e ativo esse tesouro chamado MOF ... o nosso MEETING OF FAVELA!!!

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Sou um dos organizadores do maior evento de graffiti voluntário do mundo. Onde presencio milhares de pessoas celebrando a UNIÃO da arte urbana em pelo menos alguns poucos dias do ano. Novos e antigos unidos em um mesmo ambiente, sem espaço para o EGO tomar conta. Admiradores da arte e moradores que interagem com os artistas, crianças com cadernos pedindo desenho ... e eu sou parte disso.

Todos os tipos de acontecimentos problemáticos que nos desdobramos para resolver, é abafado pela energia positiva que o evento transmite. Mas alguns fatores que me deixam triste é a ausência das mídias sociais, a mediocridade dos governantes, pessoas que se empolgam e se comprometem a ajudar mas logo após nos esquecem e quando o evento chega, voltam a se empolgar.

O MOF se movimenta por si só. Aprendemos a trabalhar com o pouco que está a nosso alcance e também ainda há pessoas que acreditam em nós e investem em nossa causa. Mas essa causa não foi criada na 1a edição, o que acontece foi todo um processo de longos 8 anos. A MÍDIA nos manda um e-mail dizendo que não é interessante fazer uma matéria por lá, será que precisa haver uma CHACINA ou uma instalação de UPP para as coisas acontecerem?

O número de artistas aumentam e precisamos de recursos para acomodação, ampliar a equipe de produção, transportes e outros custos imprevisíveis que existentes durante o MOF. Tivemos varias decepções antes do evento, ganhamos varias atrações culturais e musicais, mas da mesma forma nos foram tiradas. Não alcançamos os 100% da Benfeitoria (campanha de arrecadação de fundos), tivemos veículos avariados e entre outras, que prefiro deixar nos bastidores. Mas diante disso, encontro pessoas e equipes dispostas a unirem-se a nós para trabalhar junto, me emocionando ao ver isso acontecer. E depois de tudo, quando o MOF acaba no domingo, estou esgotado ao extremo e ainda tenho que deixar a escola em ordem para os estudantes às 7 da manha.

Um dia se passa e já fico pensando o que posso melhorar para o próximo e vejo que o MOF faz parte de mim. A até hoje não entendo porque eu me esgoto de exaustão e logo após estou morrendo de saudade de tudo que aconteceu durante esses dias. Não vou citar nomes para agradecer pois com certeza serei injusto com alguns, mas agradeço a todos pois desde o grafiteiro que parcelou sua passagem no cartão de crédito para chegar aqui ou até alguma empresa que nos apoiou, ou aqueles que apareceram apenas pra se divertir com tudo isso, são todos muito importante para que o evento aconteça.

Deixo aqui minha gratidão por estas palavras e que venha o MOF 9.

(Foto por Hugo Inglez, texto por AK47, depoimento por Carlos BOBI)